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quarta-feira, 28 de março de 2012

Recordar Rodrigo Emílio- Alguns poemas


Rodrigo Emílio, 18.02.1944-28.03.2004



Poema anti-Yankee
À bolsa de Nova Iorque, without love.

Ó idolatras dos dólares,
energúmenos dos números:

-Guardai as vossas esmolas
para a Europa dos chulos...

E ficai-vos com os trocos;
ou cambiai-os em rublos!...


Lápide

Não vos escondo
que quando vim
a capital do meu sonho 
era Berlim.

Só que Berlim
Já 'stava a arder
e eu, por mim,
não Lhe pude valer.
             
      Lisboa, Maio de 1980 no 35º aniversário da vitória da plebe.



Rosácea D'Aljubarrota

À vista do mosteiro
da Batalha
-há conquista
que resista,
há la guerreiro
que valha?!...

...Deixai, então, que vos fale
(-porque me dá cuidado
e por mais nada!)
d'aqueloutro Portugal
talhado à espada
-e condenado, afinal,
a não ser nada...-

...Sala d'aula do Além,
anfiteatro do Mar,
-que ninguém, que já ninguém
hoje vem
contemplar...







domingo, 25 de março de 2012

Samsara

Samsara




Acabei de sonhar contigo
Deitada, as mãos ensanguentadas
Junto a ti, coroas de flores e esmeraldas
Um punhal sobre o teu peito
Uma rosa vermelha na mão direita
O teu rosto pálido, a pele macia

Sussurravas o meu  nome
E um corvo poisava no teu ombro
Era noite e a chuva caía, lentamente...
Os teus olhos azul turquesa
Fixavam-me, incessantemente

Olho em redor e penso:
Este mundo já não te pertence
Um último olhar, um último gesto
Uma última palavra
A vida escapa-te

Tudo é breve, fugaz, impermanente
A roda da vida gira sem parar
Diz adeus e parte, sem nada a proclamar

Tudo volta à sua origem
Qual gota de água
Num longínquo mar

N. Afonso, 24.03.2012




sexta-feira, 16 de março de 2012

Kali Yuga

Kali Yuga


Thousands of years ago were written
Proper words in the sacred texts
But mankind has long forgiven
Many of them will find no rest

This age of lies and deception
Will unleash so much agression
A Golden Era once has lasted
And will return when Kali is gone

Do not fear when the end is near
Because every end is a new beginning

N. Afonso, 25.11.2011


terça-feira, 13 de março de 2012

Julius Evola sobre os kamikaze

'' Muitos saberão já o que são os kamikaze. Tal é o nome que foi dado àqueles aviadores japoneses que na última grande guerra se lançavam com uma carga de explosivos que acompanhava o seu avião contra o navio dos inimigos para os fazer saltar pelo ar. Falou-se muito destes ' voluntários da morte ',  umas vezes com admiração, outras com horror. Mas nem sempre foi captado o sentido completo desta iniciativa, na verdade sem precedentes na nossa história: dado que este é o primeiro caso de uma táctica sistematicamente estudada e organizada que implica a morte certa dos combatentes, aplicada não em casos esporádicos, dentro dos limites de formas de exaltação individual, mas durante um longo período e com um corpo especial instruído de maneira adequada.

Este corpo foi criado pelo amirante Onishi, quando, perante a esmagadora superioridade de meios por parte do adversário, parecia não haver outra esperança de vitória que não fosse um milagre somente realizável por um caminho de excepção. Kamikaze quer dizer ' vento divino 'e ' tempestade dos deuses '. Com isto fez-se referência a um episódio da história anterior do Japão. Em 1281, numa situação também desesperada, um furacão, que se pensou haver sido desencadeado pelos deuses, salvou o Japão afundando em poucos minutos uma potente frota inimiga. Deste modo os kamikaze conceberam-se a si mesmos quase como a encarnação da mesma força divina que então havia salvo a nação. No momento da constituição dos corpos, estas foram as palavras pronunciadas pelo almirante Onishi: ' Dirijo-me a vós em nome dos cem milhões de japoneses para solicitar o vosso sacrifício, invocando a vitória. Vocês já são deuses e os deuses esquecem-se de qualquer desejo humano. Se por acaso ainda têm um, que seja aquele de saber que o vosso sacrifício não foi em vão. '
Tais palavras encontraram um solo preparado no estado de ânimo de exasperação nascido nas massas de combatentes, que, ainda constatando a impossibilidade de fazer frente ao inimigo com os mesmos meios, não queriam, no entanto, de nenhuma maneira vergar-se ante um destino infausto. Deste modo, a obrigação de vencer a qualquer custo, atestada num primeiro momento por exemplos isolados, com a precipitação dos acontecimentos, e com a criação daquele corpo especial, acabou inchando como uma torrente destruidora '.
Calcula-se que desde 24 de Outubro de 1944, data da criação do corpo dos kamikaze, até 15 de Agosto de 1945, data da capitulação do Japão, 2530 pilotos se lançaram nos ataques suicidas contra os porta-
- aviões, os couraçados e os transportes norte-americanos. No momento em que, apesar de tudo, o Japão depôs as armas, o almirante Onishi matou-se, alcançando assim os seus homens na morte. Pouco antes, escreveu esta breve poesia lírica: ' Depois da tempestade/a lua apareceu, radiante '. Isto leva-nos a analisar o elemento interior, ético e espiritual do espírito kamikaze. Por um lado, a chamada de Onishi encontrou uma superabundância de voluntários. Os que eram escolhidos consideravam tal coisa como uma grande honra pela qual agradeciam, e que por vezes se chegou até a protestar e acusar de favoritismo e de corrupção quando tal privilégio não era concedido. Por isso deve ser sublinhado que não se tratava de um gesto ditado por um  momento de exaltação e de delírio heróico. Podia acontecer que os kamikaze tivessem que esperar meses inteiros antes de serem enviados numa missão. E neste período passavam o tempo realizando as suas ocupações normais, participando até em jogos e diversões, quase como se não tivessem ante si a perspectiva de partir rumo a uma morte certa e quase como se aquelas não fossem as suas últimas horas de vida. O seu misticismo guerreiro era acompanhado por uma fria e lúcida determinação, dado que, tal como se mencionou, eles tinham que instruir-se a fundo nas técnicas precisas de um ataque que, para ter
eficácia, exigia até ao fim um absoluto domínio de si  mesmo.

Para entender tudo isto temos que fazer referência a factores ético-espirituais e a uma concepção da vida totalmente diferente da que impera no Ocidente moderno. Em primeiro lugar existia a ideia de que ' ao converter-se em soldados já se tinha dado a vida pelo Imperador ' e que ' se os nossos tivessem que pensar não ter feito tudo para vencer, também se matariam sem por isso considerar-se livres das suas culpas. ' Encontrava-se rapidamente uma ética mais geral derivada da sabedoria de Confúcio, a qual, do mesmo modo que a estóica, exorta a viver tal com se cada dia fosse o último. E a esta ética que, se é vivida, não pode senão propiciar um natural e calmo desapego, unia-se-lhe aquilo que vinha de um concepção tradicional que não vê no nascimento o princípio da existência humana e na morte o fim inevitável do ser. Daí a característica de um heroísmo que não é obscuro, trágico e desperado, mas que se encontra confirmado pela certeza de uma vida superior. Por isso os kamikaze eram considerados ' deuses vivos '. Por isso, para os seus aparelhos não foram escolhidos símbolos da morte, caveiras, ou cor negra ou outra, tal como, pelo contrário, acontece em outros casos, mas sim símbolos de imortalidade. Ooka foi denominado o pequeno tipo de avião de um só lugar, que, carregado com duas toneladas de explosivos, era
largado por um bombardeiro e que por meio de aceleradores a propulsão se precipitava a uma alta velocidade sobre o objectivo, com uma autonomia de 20 km. Mas Ooka quer dizer ' flor de ameixa ', flor que no Extremo Oriente é também um luminoso símbolo de imortalidade.

Mas esta imortalidade, de acordo com a concepção japonesa, não é de carácter puramente transcendente; é a de forças que ainda o além pode suportar e alimentar a grandeza e a força do Império. Por isso, o almirante Onishi pôde também dizer: ' O nascimento do espírito kamikaze assegura-nos a perenidade do Japão, ainda que haja apenas uma probabilidade ínfima de vencer. ' E no fundo, esta aparece como radical justificação do sacrifício daqueles que tinham pensado ' levantar com a pureza da sua juventude o vento dos deuses '. O aparecimento dos kamikaze aterrorizou por certo as forças norte-americanas. Ficaram descrições do paroxismo e pânico que produzia nos barcos yankees o seu mero aparecimento. Lançavam-
-se contra o mesmo todo o tipo de elemento bélico e muitas vezes acontecia que o avião, ainda com o embate, arrastava-se com uma bola de chamas e fumo contra o objectivo. Mas os resultados tácticos e estratégicos esperados não foram obtidos. As coisas haviam já chegado a um ponto em que faltavam os aparelhos,e  não era sequer possível arranjar uma escolta necessária para impedir que os kamikaze fossem abatidos muito antes de poderem aproximar-se das ' task-force ' norte-americanas e de outros objectivos. Todas as destruições realizadas não puderam de forma alguma impedir a derrota.

E esta é uma experiência deprimente. Deprimente porque poderia não valer apenas para aquele caso. Os tempos parecem ser tais que mesmo a extrema tensão heróica de espíritos que já de forma antecipada rescindiram o vínculo humano pode ser vã ante uma esmagadora potência organizada da matéria. ''

Roma, 11 de Dezembro de 1957.( Texto traduzido do Castelhano)





sexta-feira, 9 de março de 2012

Um ídolo com pés de barro

Democracia: brevemente, num mundo perto de si, assista à derrocada final de um ídolo com pés de barro.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre os saquedores da Terra

' Nós, que vivemos nos confins da Terra e com o último pobre trabalho da liberdade, até agora estando protegidos pela enorme distância, pelo mistério e pelo medo criado pelo nosso nome. Mas agora, as fronteiras estão abertas e, para além  de nós, não há mais ninguém. Apenas o mar e, mesmo assim, eles vêm. À usurpação deles não fugimos nem pelo ar nem pela humilhação de nós próprios. Estes saqueadores da terra invadem agora os mares porque, havendo devastado tudo, já não lhes resta terra alguma. Se o seu inimigo é rico, eles são gananciosos, se ele é pobre, buscarão a glória. Sozinhos entre os povos, olharam com a mesma ganância para ricos e pobres. Roubando, assassinando e saqueando eles se denominam de Governo e no local onde criaram um deserto, a isso chamam de paz. ' (Michael Moynihan, Blood Axis)





domingo, 4 de março de 2012

A world dead and gone

                                                           A world dead and gone
And she started laughing
Long before you were born
Her pristine eyes staring at me
We walked away, we were free

We travelled so far
Through life and death
Just like a shooting star
Taking a deep breath

This world was burning
When we came home
Not scared at all we threw a stone
To a declining idol once so strong

It was hard to beat
But now is dead and gone
A corrupt system that we won't miss
Time to stand up, give me a kiss

The future is ours, don't step aside
Our best days are coming, keep that in mind

N. Afonso, 28.02.2012








quinta-feira, 1 de março de 2012

Sat upon a tree

Sat upon a tree


Look at those little coloured birds
Over the branches they sing and fly
You should learn to listen to the old ones
When they speak their words are wise

Forget the gossip of this world
If you do that many problems will not arise
Stop and listen: worthy words are not to spare
All those tricky voices you shall ignore

Life goes on, whether you like it or not
Like a chain of lies not left behind
Or rotten corpses that smell so bad
A misguided man can harm you of death

N. Afonso, 10.01.2012