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quarta-feira, 29 de maio de 2013

O ruído da cidade

O ruído da cidade

As ruas da cidade pejadas de escombros
Humanos! Ruínas de si próprios.
Aqui e ali, reluzem trémulas luzes,
Fugazes néons acendem-se e apagam-se

Na mais largas ruas e avenidas
O ruído é intenso e ensurdecedor:
Buzinas estridentes, barulhentas sirenes.
Invadem-te sons, cores e cheiros variadíssimos

A agitação é grande e sufoca-te
O ar poluído, as mentes dúbias,
Toda esta pressa que te esmaga.

Dizes: estará também Deus nestes lugares?
Segues em frente, não te deténs.
E partes, rumo a outras paragens.

Guiado por uma indizível melancolia
Dás por ti já noutro sítio, longe dali.

O céu está tingido de vermelho
Quando páras junto a um límpido riacho.
Estás só, tu e os teus pensamentos

Parece que tudo ficou para trás
E se desvaneceu num ápice.
Toda a dispersão, ansiedade e loucura.
Todos os nomes parecem um só,
Na face nítida do luar que te acolhe.

Duro, insondável, silencioso!
Uma fortaleza contra intrusos
Recolhes em ti mesmo e repousas
E já é dia quando regressas a casa...

N. Afonso

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Poema sem data

Poema sem data

Um poema não tem data,
É de ontem e de hoje.
Tem no futuro a sua morada
E no presente a sua espada.

N. Afonso