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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Espaço e tempo para além de mim



'' Poderá existir espaço e tempo para além de mim?
  O tempo e o espaço apenas me prendem se eu for um corpo,
  Eu não estou em parte alguma, eu sou perpétuo,
  Eu existo em toda a parte e para a eternidade ''

  Ramana Maharsi (1870-1950)

domingo, 22 de julho de 2012

Do exílio

Exilados

Somos exilados
Na nossa própria terra
Não existe pátria
Nação ou povo

Tudo é global e disperso
A identidade dilui-se
Neste emaranhado caótico
De multidões anónimas urbanas

O Estado é inimigo
O luar um abrigo
Nossas mentes e corações
Unidos não pelos cifrões

Sobre os escombros da cidade
Construiremos a liberdade
Juntos e rejuvenescidos
Pela vitória fortalecidos

N. Afonso, 19.07.2012

sábado, 21 de julho de 2012

Fim do Kali Yuga, o Kalki Avatara e o nascer de uma nova Era

Kalki


(Tradução minha a partir do Inglês)


'' E quando esses tempos terríveis terminarem, a criação começará novamente. E os homens serão novamente criados e distribuídos pelas quatro ordens, começando pelos Brâmanes. E nesse tempo, de modo a que os homens possam aumentar, a Providência, a seu gosto, tornar-se-á uma vez mais favorável. E então quando o Sol, a Lua e Vrihaspati, irão, com a constelação Pushya* entrar no mesmo signo, a Era de Krita** começará de novo. E as nuvens começarão a deitar água no momento oportuno e as estrelas e conjunções estrelares tornar-se-ão auspiciosas. E os planetas, girando correctamente  nas suas órbitas, tornar-se-ão muitíssimo favoráveis. E por toda a parte haverá prosperidade e abundância e sáude e paz. E autorizado pelo Tempo, um Brâmane de nome Kalki virá ao mundo. Glorificará Vishnu e possuirá grande energia, grande inteligência e grande bravura. E nascerá numa cidade chamada Shambhala numa feliz família Brâmane. E armas e veículos, armamentos e guerreiros e cotas de malha estarão à sua disposição assim que pense neles. E ele será o rei dos reis, sempre vitorioso pela força da virtude. E restaurará a paz e a ordem neste mundo repleto de criaturas e contraditório no seu curso. E esse Brâmane flamejante de intelecto poderoso, havendo aparecido, destruirá todas as coisas. E ele será o destruidor de tudo e inaugurará uma nova Era. E rodeado pelos Brâmanes, esse Brâmane exterminará todos os bárbaros onde quer que essas vis e desprezíveis pessoas possam obter refúgio. ''

Notas: Pushya*- Oitavo asterismo lunar, consiste de três estrelas, sendo uma delas Capricórnio;
Krita**- Krita Yuga ou Satya Yuga é o nome da Idade de Ouro na tradição hindu.

Mahabharata, Livro 3: Vana Parva: Markandeya-Samasya Parva, Secção CLXXXIX, traduzido por Kisari Mohan Ganguli


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Os sinais do fim do Kali Yuga segundo o Mahabharata



(Tradução minha a partir do Inglês)


'' Tudo isto acontecerá no fim do Yuga e sabe que estes são os sinais do fim do Yuga. E quando o homem se tornar feroz e destituído de virtude e carnívoro e viciado em bebidas tóxicas, então o Yuga chega ao fim. E, ó Monarca, quando as flores forem geradas dentro das flores e os frutos dentro dos frutos, então o Yuga chegará ao fim. E as nuvens despejarão água despropositadamente quando se aproximar o fim do Yuga. E, nessa altura, os ritos dos homens não se seguirão uns aos outros pela ordem correcta e os Sudras brigarão com os Brâmanes. E em breve a terra estará cheia de forasteiros e os Brâmanes correrão em todas as direcções temendo o peso dos impostos. E cessarão todas as distinções entre os homens, tais como as relativas à conduta e ao comportamento e, aflitos com tarefas e serviços honrosos, as pessoas fugirão para retiros nas florestas, subsistindo de frutos e raízes. E o mundo estará tão aflito que a conduta recta deixará de aparecer onde quer que seja. E os discípulos desprezarão as instruções dos mestres e tentarão até injuriá-los. E os mestres empobrecidos serão menosprezados pelos homens. E os amigos e parentes realizarão serviços agradáveis apenas pela riqueza que uma pessoa possua. E quando o fim do Yuga chegar todos estarão em falta. E todos os pontos do horizonte estarão em chamas e as estrelas e constelações não brilharão e os planetas e conjunções planetárias não serão auspiciosos. E o curso dos ventos será confuso e  agitado e inúmeros meteoros brilharão no céu, pressagiando o mal. E o Sol aparecerá com com seis outros da mesma espécie. E tudo em redor será estrondo e tumulto e por toda a parte haverá conflagrações. E o Sol, desde que nasce até que se põe, será envolvido por Rahu. E a divindade de mil olhos derramará chuva intempestivamente. E quando o fim do Yuga chegar as colheitas serão escassas. E as mulheres estarão sempre de língua afiada, impiedosas e choramingonas. E elas nunca suportarão as ordens dos seus maridos. E quando o fim do Yuga chegar os filhos assassinarão os pais e mães. E as mulheres, vivendo descontroladamente, matarão também os seus maridos e filhos. E, ó Rei, quando o fim do Yuga chegar, Rahu engolirá o Sol despropositadamente. E haverá chamas por toda a parte. E viajantes incapazes de obter comida, bebida e abrigo, mesmo quando peçam, deitar-se-ão à beira da estrada. E quando o fim do Yuga chegar, corvos, serpentes, abutres e milhafres e outros animais e aves emitirão gemidos assustadores e dissonantes. E quando o fim do Yuga chegar, os homens abandonarão e negligenciarão os seus amigos, parentes e subordinados. E, ó Monarca, quando o fim do Yuga chegar, os homens que abandonarem os países, cidades e vilas que ocupavam, buscarão outros novos, um após outro. E as pessoas vaguearão pela terra, proferindo ' ó pai, ó filho' e outros gemidos dilacerantes e assustadores.''

(Mahabharata, Livro 3: Vana Parva: Markandeya-Samasya Parva, Secção CLXXXIX, traduzido por Kisari Mohan Ganguli)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Síntese dos contrários

Síntese dos contrários


Há um caminho
Para sair do labirinto
E algo que está para além
Do espaço e do tempo

Há uma saída
No fim da estrada
E uma ponte
A ligar os mundos

Há água pura
Em pleno deserto
E uma luz que brilha
Na escuridão

Mas é cedo para partir
E tarde para ficar
Fria a noite para sair
Quente o dia para esperar

Abre a porta que se fecha
Fecha a janela que se abre
Supera a mágoa que aparece
Segura a mão que estremece

Lembra a hora de actuar
Esquece o dia de parar
Esconde a fraqueza que mata
Revela a força que vence

N. Afonso, 16/07/2012



domingo, 8 de julho de 2012

Inimigos

Inimigos


Sem qualquer identidade
Memória ou tradição
E cheios de vazia vaidade
Os inimigos da Revolução

N. Afonso 18.06.2012

sábado, 7 de julho de 2012

O Sistema de Guildas


O Sistema de Guildas, por Hillaire Belloc (Tradução minha)

''A Guilda é a mais velha, mais importante, mais profundamente enraízada de todas as instituições humanas. Apareceu em todas as civilizações que são estáveis, porque é necessária para a estabilidade. Floresceu especialmente numa época em que a nossa raça tinha a mesma religião e também uma superior civilização comum. Apenas desapareceu recentemente. Seremos compelidos a restaurá-la se queremos disfrutar da liberdade, e quanto mais depressa o fizermos de um modo adequado, melhor. Será especialmente valiosa no campo industrial, que é aquela parte da vida humana que mais precisa de ser corrigida.
  A Guilda é esssencialmente isto: - Uma associção de homens comprometidos numa mesma ocupação e
o seu objectivo primeiro é o apoio mútuo. Estes termos gerais envolvem um número de termos particulares, os quais hoje esquecemos e que temos de relembrar se queremos restaurar a propriedade e torná-la estável e permanente- que é a condição para restaurar a liberdade, a dignidade humana e a família, as quais o Capitalismo Industrial tão gravemente feriu.
  As funções detalhadas que a Guilda executa, exceptuando a sua função geral de apoio mútuo e garantia entre os homens com um ofício similares são as seguintes:
  Primeiro, garante a sua propriedade. Não a destrói como o Comunismo faria; faz exactamente o oposto. Torna a propriedade permanente e faz com que a competição desmedida e as acções hostis entre os vários membros não levem a que os homens mais pobres sejam engolidos pelos mais ricos. Assim, das primeiras actividades da Guilda que descobrimos ser usada durante centenas de anos é elaborar leis relativas à conduta do seu comércio especial pelos seus próprios membros, e o elaborar dessas leis de modo a que cada membro possa continuar a ser, dentro de certos limites, um membro livre da Guilda e um proprietário livre dos seus meios de sustento. A Guilda não evita o florescimento dos homens laboriosos, nem estabelece um prémio de ociosidade ou ineficiência, mas faz leis por meio das quais a entrada para a Guilda seja apenas obtida em certas condições, por meio de que haja um período de experiência, antes de um homem se tornar um membro de pleno direito, de modo que aqueles que desejem trabalhar em tal e tal ofício tenham de pertencer à Guilda e pelo qual a competição indevida seja fiscalizada.
  Segundo, a Guilda tem por acordo do Estado o direito de lidar com os assuntos que são a ocupação dos seus membros, o direito a tal ocupação está restringido aos membros da Guilda; mas o Estado não autoriza a Guilda a excluir trabalhadores solícitos, ainda menos vender o privilégio de ser associado da mesma. A entrada na Guilda tem de estar aberta a todos mediante um teste de eficiência no respectivo ofício.
  Terceiro, um membro da Guilda tem de observar certos limites na sua concorrência com outros membros da mesma que tenham o mesmo ofício. Há coisas que ele pode fazer e outras que não pode. Há regras para a sua conduta profissional às quais tem de obedecer sob pena de ser expulso da Guilda e, desse modo, perder o seu sustento, e estas regras são concebidas com duas finalidades: o bom desempenho do ofício e a manutenção dos seus membros, de modo que cada um, com um mínimo de diligência e eficiência, tem um sustento seguro.
  Quarto, a Guilda é autónoma dentro dos limites do seu contrato, a carta que lhe foi concedida pela autoridade pública do Estado.
  O modo como a Guilda funciona na sua plenitude apenas podemos agora estudá-lo a partir dos documentos do passado- e eles devem ajudar-nos a restaurar a Guilda na actualidade. Mas ficamos com ideias claras da acção das Guildas no pouco que resta das velhas Guildas. Vemos isso num certo grau entre os advogados e ainda mais entre os médicos, especialmente nos velhos países europeus. Assim, mesmo na Inglaterra, por mais capitalista que ela seja, um homem está proibido de exercer como médico a menos que haja provado, através de exame e pela prática médica durante um período de experiência, a sua capacidade para exercer esse ofício. Em muitos lugares um médico está, pelas regras da sua sociedade, proibido de colocar anúncios. Um médico, pelos usos da sua sociedade, - que têm a força de lei, não pode quebrá-los sem perder o seu lugar na corporação- não leva um paciente das mãos de um seu colega sem este deixar. Um médico está sujeito a preservar certas regras de honra e discrição ligadas à sua profissão, que são virtualmente garantidas pela Guilda da qual é membro.
  O que é aqui verdadeiro acerca da profissão médica costumava ser verdadeiro em todas as actividades no Estado.
  A união colectiva das Guildas garantia a independência de cada membro. O correcto exercício da arte na qual estava comprometido e a restrição da concorrência dentro de limites razoáveis estavam assegurados. O seu efeito geral era prevenir o enriquecimento indevido de um membro à custa de outros, e embora as regras fossem flexíveis, e as margens de lucro correspondessem a diferenças de talento e oportunidade, a Guilda era a garantia de propriedade continuada e independência.
  O Espírito da Guilda, mesmo que o nome de Guilda não fosse usado, aplica-se a muito mais do que artes produtivas ou profissões aprendidas. Aplica-se à agricultura na forma de instituições cooperativas para a aldeia e de garantias contra a absorção de terras por um pequeno grupo. Aplica-se à distribuição e ao transporte. Hoje, na distribuição, a Guilda seria especialmente valiosa; fiscalizaria a concorrência e garantiria aos pequenos o seu sustento e preservaria os melhores hábitos do comércio: proteger o público contra a adulteração dos bens e contra as deficiências de todos os tipos.
  A Guilda, para ser útil a um grande Estado, tem de ser subdividida. Poderá haver um variado número de Guildas locais, mas têm de ter um laço comum, como têm hoje as uniões comerciais.
  Não faremos nada para a restauração da propriedade a menos que também reestabeleçamos a Guilda. E temos de aplicar o princípio da Guilda a toda a espécie de actividade humana, de forma a estabilizar e garantir a propriedade; e, com propriedade, independência, de modo a tornar o trabalho de cada homem digno e válido. Podemos fazer da Guilda a cooperativa proprietária de grandes empreendimentos que requeiram tal cooperação; podemos torná-la a protectora do pequeno proprietário, do pequeno proprietário de uma loja, por exemplo, e do proprietário de parcelas individuais numa grande loja onde muitos distribuidores trabalham juntos.
  Toda a espécie de bem circularia a partir do reestabelecimento da Guilda, e sem o reestabelecimento da mesma o esforço para manter a propriedade bem distribuída, mesmo que tivéssemos já alcançado essa boa distribuição, seriam vãos; porque só a Guilda pode garantir a permanência da propriedade bem distribuída.
  Mas existe um obstáculo à fundação das Guildas. Há uma rocha sobre a qual qualquer tentativa de restaurar a Guilda pode ser destruída. Até que hajamos aprendido a evitar o obstáculo ou a tirá-lo do caminho, a restauração da propriedade não pode ser assegurada. Esse obstáculo é o tolo e irracional príncipio da competição ilimitada. Todo o espírito da Guilda se opõe a essa ideia. A Guilda, quase podemos dizer, vem à existência, e sempre veio à existência com a finalidade de prevenir os homens de serem destruídos pelo demónio da concorrência ilimitada, que é apenas outra palavra para a ganância sem limites.
  Enquanto deste modo o homem confundir a liberdade com o abuso da liberdade, até lá não irá somente a  Guilda mas a propriedade, que é mantida pela existência da mesma, permanecer inatingível. Os homens têm de se acostumar à ideia de uma sociedade restrita com o privilégio de exercer esta ou aquela função aberta a todos ( mas apenas sob a condição de aceitar ser membro da Guilda ) antes do nosso esforço de restauração da propriedade poder começar.
  Talvez o renascimento de uma ideia com a qual os homens não cresceram seja a parte mais difícil da nossa tarefa. Ainda assim, a menos que tenhamos sucesso nessa tarefa, desesperaremos dessa mesma liberdade, o nome da qual pode ser usado pelos nossos adversários para derrotarem os nossos esforços. Sem propriedade assegurada pela massa dos cidadãos - por um determinado número de cidadãos - não há liberdade; e sem a Guilda não existe manutenção permanente da propriedade. ''

sábado, 30 de junho de 2012

' Deve ser o último tempo '



' Deve ser o último tempo '

Deve ser o último tempo
A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos
O cadáver onde a aranha decide o círculo.
Deve ser o último degrau na escada de Jacob
E o último sonho nele
Deve ser-lhe a última dor no quadril.
Deve ser o mendigo à minha porta
E a casa posta à venda.
Devo ser o chão que me recebe
E a árvore que me planta.
Em silêncio e devagar no escuro
Deve ser a véspera. Devo ser o sal
Voltado para trás.
Ou a pergunta na hora de partir.

Daniel Faria, Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)







quarta-feira, 27 de junho de 2012

Auspícios

Auspícios


Do solo brotam flores
E espinhos da tua pele
Caminhas ao pôr-do-sol
És o poente na minha alma

Das nuvens sobre o deserto
Caem gotas de vitalidade
Na planície dos teus cabelos
Mora um raio de liberdade

N. Afonso, 9.04.2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Discutindo a Raça num Mundo Global (Cont.)

Discutindo a Raça num Mundo Global, por Welf Herfurth (Parte II)

É óbvio que o que é diferente muitas vezes tem o apelo do exótico e não podemos prevenir a mistura de raças em pequena escala. Também em certos lugares em diferentes tempos isto ocorreu de um modo visível, com forças culturais e históricas a actuarem de modo a produzirem novos resultados a longo termo. 
  Não sei se existe um plano para encorajar o resultado de um mundo único. Pode ser a ingenuidade, estupidez ou ganância das pessoas que encorajam esta visão. No entanto, sou levado a pensar que há um encorajamento de liberais ocidentais, capitalistas de todas as cores, alguns teólogos e outros para ser criado um ' mundo único '. Renovadores do mundo de todas as espécies e os tão chamados liberais promovem a ideia de que a diversidade é um vazio fastidioso. Eu atacaria esta espécie de ' visão ' e preferiria as diferenças raciais e a diversidade. E argumentaria que não ' gravitamos naturalmente ' em direcção à Grande Raça Parda, mas estamos de facto a ser colonizados. 
  Sei que na actual sociedade ocidental discutir a raça é como pisar um solo perigoso e viscoso. Mas estou disposto a fazê-lo. Acredito que a sobrevivência das diferentes raças e culturas é tão importante como a sobrevivência da baleia, elefantes e diferentes aves. É um objectivo respeitável se for mantido como uma celebração da diversidade tão essencial ao progresso humano global. Ainda somos uma família.
  Para manter um tal objectivo, repudiaria qualquer noção de que uma raça é melhor do que outra numa hierarquia organizada do melhor para o pior. É precisamente poque as raças têm diferentes capacidades e aptidões e possivelmente défices que isto não pode ser feito. Resta-me dizer que as raças são iguais mas não são a mesma coisa. Podemos e devemos aceitar que estas diferenças estão gravadas nas nossas culturas. As nossas culturas são as janelas para as nossas almas. Elas definem cada uma das raças, cada um dos sub-tipos, cada um dos povos. Estas culturas são tesouros. Podem ser apreciadas por cada um dos tipos humanos, mas apenas são totalmente vividas e apreciadas somente pelo seu grupo criador. Obviamente que uma raça ou uma nação tem o direito de conservar a cultura e identidade da sua nação no seu próprio país. Onde está a afirmação de arrogância própria nisso? Se uma raça ou outro grupo é possuidor/a de uma cultura tem o direito de preferir conservá-la.
  Podemos ter um mundo de povos em zonas definíveis como alternativa à Nova Ordem Mundial de caos e destruição? Talvez esta seja a máxima expressão do meu argumento! Mas o plano dos liberais políticos, dos mass média e da indústria do entertenimento é promover o multiculturalismo (que na minha opinião é na verdade, monocultura liberal) nas sociedades ocidentais e vai, de facto, destruir as culturas europeias. Contudo, o modelo deles está ser cada vez mais imposto a outros povos como parte do imperialismo da Nova Ordem Mudial. É um imperialismo estranho que chega a despojar o conquistado da sua cultura e depois a diluir os seus destroços com os destroços dos outros. Agrada-me observar que muita gente se ergue agora contra este modelo. 
  Sempre gostei de viajar e ver o mundo. Dá-me o sentimento de estar vivo e de interagir com pessoas e lugares. Nunca entenderei como as pessoas podem viver num lugar e somente num lugar e pensarem que vivem no ' melhor lugar da terra '. Cada terra pode ser um grande país mas não existe tal coisa como o ' melhor lugar '. Semelhantemente, podemos descartar a ideia da melhor raça. Num mundo que parece estar a perder o seu rumo e caminhar para o conflito, deveríamos procurar as causas. Elas não estão apenas nas rivalidades de raças, nem esta espécie de rivalidade levou o mundo humano à beira da destruição. Olharmos para trás para a história, certamente envolveu conflitos de raças e povos e actos iníquos. No entanto, o passado também possuía um princípio de diversidade como sendo essencial ao progresso global. Quaisquer que fossem as diferenças, e as disputas que produzissem, havia entre todos a ideia de uma certa segurança nos acordos. Isto é agora desafiado pelo falso anti-racismo de um mundo único. 
  Deixem-nos discutir a raça. Deixem-nos ver se a defesa da raça oferece um desafio para o chamado mundo único. É uma boa maneira de começar. Se gostamos dos frutos desta discussão, podemos levá-la mais longe. Pode ser a ideia revolucionária a levantar contra a uniformidade, conformidade, a monotonia, o destrutivo e a globalização.
                                               Somos todos iguais, mas não somos o mesmo.

domingo, 24 de junho de 2012

Discutindo a Raça num Mundo Global

Discutindo a Raça num Mundo Global , por Welf Herfurth (Tradução minha)

O tema da raça e diferença racial é algo que muita gente evita. Alguns consideram isso maus modos ou algo de indelicado. Outros dizem que é ofensivo e que a sua discussão devia ser proibida por lei. Em relação a isso chegam ao ponto de negar a existência de raças, afirmando as mais variadas teorias religiosas, filosóficas, científicas e morais em apoio da tese. Algumas pessoas poderão concluir que as raças existem de um modo limitado e quase sem sentido e que por razões 'humanas-universalistas' elas devem ser abolidas.
  Obviamente que há pessoas - em todas as raças - que acreditam que a sua particular origem as torna sábias, boas ou superiores. O facto que existam este tipo de seres humanos pode condicionar as atitudes daqueles que promovem o assunto não nos confundirem mais. Por vezes este grupo é totalmente ofensivo e alguns entre eles têm uma constituição mental genocida. Apesar disso, isso não torna inválida a existência de raças enquanto tais. Os antigos Chineses que se referiam a outros como bárbaros ou o Hitleriano que se refugiou numa falsa estética ou o Judeu Sionista que acredita que alguns povos são entidades inferiores são usados por muitos como desculpas para se recusarem tomar em consideração qualquer teoria da raça que proclame uma virtude na sua existência.
  Não tenho medo de discutir a raça. Porque estou preparado para aceitar que as raças existem, por isso digo: ' De onde vieram? O que é que isso significa?'
  Considero raça e espécies coisas diferentes. Claro que concordo que os humanos como todo são uma espécie, mas dentro da família temos raças diferentes. É como no mundo animal. Temos cães, gatos, baleias, veados, etc., mas dentro de cada 'espécie' temos diferentes raças. Pode ser uma descrição simplista mas vejam os tipos de cães. Temos o Pastor-Alemão, Schnauzer, Fox-Terrier, etc. São todos cães, mas são diferentes - em aparência, tamanho e temperamento. podem procriar entre eles, se vocês desejarem, mas o sentido de individualidade pode perder-se. Na minha opinião, acontece o mesmo com os humanos. Caminhamos todos sobre duas pernas; temos uma cabeça, braços e pernas. Pensamos, temos necessidades e precisamos de amar e ser amados. Comunicamos uns com os outros e sempre nos vimos a nós próprios relacionados uns com os outros. Não temos dúvidas de que somos, contudo, 'animais' muito especiais ( reparo que pode haver uma certa oposição religiosa ao aplicar este termo, mas a minha intenção rapidamente se tornará clara). Essencialmente, temos consciência de nós próprios. Os filósofos debateram durante muito tempo essa noção. É a capacidade de pensar em termos 'superiores', termos morais, distinguir quereres e necessidades, regular impulsos, de agir socialmente que torna a espécie humana especial. Porque deveríamos ficar surpreendidos se a natureza equipou cada uma das raças de modo ligeiramente diferente?
  Notamos grandes diferenças entre as diferentes raças. Não apenas a cor da pele, mas também o modo como agimos em diferentes situações e as nossas capacidades físicas. A raça Negróide é geralmente uma raça mais física do que a Asiática e 'Indiana' ou Europeia ou Semita. Tem conhecidas capacidades em certos desportos e nas canções, no trabalho físico e na resistência à dor. Por outro lado, alguns grupos Asiáticos, têm um Q.I. mais elevado do que o homem branco para o refinamento da vida e da cultura. Os Esquimós superam os outros em Q.I., mas os grupos negros parecem ficar no fundo da tabela. Por conseguinte, o homem branco é mais prático e científico. Os grupos Semíticos têm a capacidade de formar intrincados sistemas religiosos e místicos Gnósticos. Nalguns aspectos, cada um é melhor do que o outro e noutros pior.
  Há também diferenças dentro das raças por meio das quais cada uma pode ser dividida em vários sub-grupos. Basta olharmos para os Europeus. São 'brancos', mas o Italianos são diferentes dos Suecos, os Alemães são cultural e temperamentalmente diferentes dos Russos. Mas esta diferença é primeiramente baseada nos seus hábitos, cuja influência vem do meio onde vivem. Há também certas variações anatómicas.
Suponho que podemos aplicar esse princípio à raça Asiática. Os Japoneses são mais 'claros' do que os Vietnamitas; os Chineses Han têm constituição mais robusta do que os Tailandeses. E por aí fora.
  Esta incrível diferença entre raças e as variações dentro delas é uma coisa natural. Podemos dizer que Deus fez com que assim fosse (se temos uma visão religiosa) ou podemos dizer que foi obra da natureza (se formos evolucionistas) . De qualquer dos modos, é um facto da existência. Parece ser um facto assombroso.
As diferenças na humanidade não podem ser uma coisa censurável mas apenas aceite. Uma vez aceites, devemos celebrá-las. Atrever-me ia a dizer que uma discussão adequada da existência da raça implica uma revolução na filosofia do politicamente correcto.
  Quando viajo, atravesso uma fronteira e entro instantaneamente num mundo diferente. Ir apenas da Alemanha à Suíça é espantoso. A paisagem pode ser a mesma, como a arquitectura, mas as pessoas e as culturas são diferentes. E é isso que eu gostaria de preservar. Olhem para a Europa actual. Temos tantas outras raças a viver em Inglaterra que mais de metade de Londres não é branca. Se formos a alguns países no mundo Árabe, pensamos estar no Paquistão. Se formos à Índia, encontramos pessoas que querem ser Americanas a falar somente em Inglês. Que efeito tem toda esta pseudo-globaização na economia deste país? E como fica a sobrevivência do património dos povos nativos? Sou Alemão, mas não ficaria ofendido se pessoas num país Africano ficassem incomodadas com demasiados turistas nossos ou homens de negócios tornando-se pragas de si próprios. Não me ofende como 'homem branco'  saber que os Malaios pintaram grandes slogans nos anos 50 que diziam: ' Britânicos, vão para casa!' Também não fiquei chateado quando a Líbia mandou para casa muitos dos seus trabalhadores de fora ou quando a Nigéria mandou embora os seus imigrantes ilegais. Nem fico ofendido quando um Islandês pergunta porque precisam de Indianos no seu país. Parece que se cada um estivesse no seu sítio, sendo si mesmo, haveria menos tensão e mais respeito?
  Onde acaba toda esta pressão para 'um único mundo'? Imaginem se todas as pessoas do mundo ficassem da cor do chocolate, com cabelo e olhos escuros? Sem mais Asiáticos, Africanos, Europeus ou Indianos. Assumamos então que não haveria mais diversidade racial entre as pessoas. Assumamos que poderíamos ensinar uma língua, usar um sistema monetário, quebrar as barreiras e fronteiras e viver num enorme mercado. Onde estaria o benefício? Pensamos mesmo que isso em si mesmo formaria uma melhor humanidade ou um mundo mais harmonioso, próspero ou cultural? E, obviamente, podemos assumir que se colocássemos a humanidade numa misturadora essa diferenciação não reapareceria, numa nova forma talvez, mas que ainda funcionasse nos assuntos humanos?

sábado, 23 de junho de 2012

Saqueadores

Saqueadores


Atravessam mares e continentes
Em busca de novos proveitos
Causam a morte e a destruição
Às leis humanas não estão sujeitos

Em nome da paz e liberdade
Da tolerância e democracia
Levam a guerra a toda a parte
É a Nova Ordem que se anuncia

Devastam cidades e aldeias
Constroem muros e barreiras
Lançam bombas, saqueiam a Terra
A ganância não tem fronteiras

Democratas e ditadores
Em cumplicidades obscenas
Partilham repastos e honrarias
A discórdia irrompe, há problemas

A arma dos banqueiros
É usura desmedida
As notícias dos jornalistas
Manipulação consentida

Políticos e magnatas
Aliados e cleptocratas
Os corruptos andam a monte
Governo Mundial no horizonte

N. Afonso, 15.06.2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Antimoderno

Antimoderno


O Homem moderno
Da Natureza afastado
Não tem Deus ou sequer Lei
Crê que viver é um fardo

N. Afonso, 9.06.2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Foi a Revolução Francesa uma vingança dos Templários?



Foi a Revolução Francesa uma vingança dos Templários?, por Julius Evola

'' Escreveu-se muito a respeito da Revolução Francesa e sobre a causa que a originou; habitualmente reconhece-se o papel que, pelo menos como preparação intelectual, tiveram certas sociedades secretas e especialmente a dos denominados Iluminados. Uma tese específica e mais avançada é aquela que a tal respeito sustenta que a Revolução Francesa tenha representado uma vingança dos Templários. Já num período extremamente próximo àquela revolução apareceu uma ideia semelhante. Seguidamente De Guaita haveria de retomá-la e aprofundá-la.
  A destruição da Ordem dos Cavaleiros Templários foi um dos acontecimentos mais trágicos e misteriosos da Idade Média. Os Templários eram uma Ordem cruzada de carácter tanto ascético como guerreiro, fundada em 1118 por Hugues de Paiyns. Exaltada por S.Bernardo na sua De Laude Novae Militiae, haveria de tornar-se rapidamente numa das ordens cavalheirescas mais ricas e poderosas. De forma improvisada em 1307, a mesma foi acusada pela Inquisição. A iniciativa partiu essencialmente de uma figura sinistra de soberano, Filipe O Belo de França, que impôs a sua vontade ao débil Papa Clemente V, conseguindo para si as grandes riquezas da Ordem. Acusava-se os Templários de professarem só em aparência a fé cristã, de terem um culto secreto e uma iniciação alheia ao cristianismo e até mesmo anti-cristã. Como foram as coisas verdadeiramente é algo que não se pôde nunca saber com exactidão. De qualquer forma o processo concluiu com uma condenação: a Ordem foi dissolvida, a maior parte dos Templários foi massacrada e terminou na fogueira. Foi queimado também o Grão-Mestre, Jacques de Molay. Este justamente na fogueira profetizou os dias da morte dos responsáveis da destruição da Ordem, do rei e do pontífice. Filipe O Belo e Clemente V haveriam de morrer exactamente dentro dos termos profetizados pelo Grão-Mestre Templário para apresentar-se perante o tribunal divino. Diz-se que alguns Templários que se salvaram do massacre se refugiaram na corte de Robert Bruce, Rei da Escócia, e que se integraram em certas sociedades secretas preexistentes. De qualquer modo, de acordo com a tese mencionada ao início, certas derivações dos Templários teriam continuado de maneira subterrânea até ao próprio período da Revolução Francesa e teriam preparado, como uma verdadeira vingança, a queda da casa de França. Que algumas sociedades secretas se tivessem organizado para fins revolucionários, isso é algo desvelado pela investigaçao histórica. Uma mera casualidade - o facto de que um correio das mesmas fosse abatido por um raio - permitiu descobrir documentos dos Iluminados que continham planos revolucionários. Mais importante ainda foi a reunião secreta que se realizou em Frankfurt em 1780. Foi descrita de maneira novelesca por Alexandre Dumas no seu famoso livro Joseph Balsamo, onde seguramente se serviu dos apontamentos, publicados em Itália em 1790 e em França em 1791, do processo realizado pelo Santo Ofício a este misterioso personagem conhecido pelo nome de Cagliostro. Na sua exposição Cagliostro fala daquela reunião, faz menção aos Templários, diz que os convocados se comprometeram a derrubar a casa de França; que logo após a queda desta monarquia a sua acção haveria de dirigir-se para Itália tendo em mira particularmente Roma, sede do Papado.
  A tudo isto devem juntar-se as revelações feitas em 1796 por parte de Gassicourt num livro sumamente raro, Le Tombeau de Jacques Molay. No mesmo sustenta-se que '' os feitos da Revolução Francesa têm um signo Templário ''. Segundo o autor o próprio nome dos Jacobinos - ou seja, os principais promotores da Revolução - viria do Grão-Mestre Templário, Jacques de Molay, e não, como geralmente se crê, da igreja de religiosos jacobinos, lugar de reunião que a organização secreta tinha escolhido por mera casualidade. E a consigna da seita, que seria mantida sucessivamente em altos graus de associações similares, compunha-se das iniciais do nome completo do Grão-Mestre Templário.
  Outra circunstância estranha e significativa está representada pela escolha do lugar onde foi mantido prisioneiro o último rei de França, Luís XVI; lugar que só abandonaria no momento de subir ao patíbulo. Ainda que a Assembleia Nacional lhe houvesse destinado como cárcere um local do palácio do Luxemburgo, ele foi encerrado no Templo, ou seja, na sede dos Templários de Paris: quase como símbolo da vingança que golpeava, na pessoa do seu último descendente, a dinastia culpada da destruição da Ordem, no lugar que a mesma tinha ocupado.
  São também mencionados outros elementos como apoio de tal tese. Naturalmente, uma investigação que, como esta, assenta sobre o que se desenrolou na sombra, por detrás dos bastidores da história conhecida, encontra dificuldades particulares. No caso específico, ainda admitindo todos os indícios, ficaria por verificar se existiu uma continuidade entre os agentes revolucionários em torno de '89 e os verdadeiros Templários medievais, podendo também ser que os primeiros tenham tomado dos segundos apenas o nome, ainda que pelo contrário tenham obedecido a forças obscuras de um tipo muito diferente. De qualquer modo a hipótese aqui assinalada é conhecida por parte daqueles que se debruçam sobre o que bem poderia ser denominada como a dimensão em profundidade da história. ''

Publicado no Boletim Evoliano #10- Mai-Ago.2010

domingo, 10 de junho de 2012

A Suástica



A Suástica, por René Guénon (Tradução minha)


'' Uma das formas mais relevantes do que chamámos cruz horizontal, isto é, a cruz traçada no plano em que representa um determinado estado de existência, é a figura da suástica, que parece relacionar-se directamente com a Tradição Primordial, já que se encontra entre os mais diferentes e afastados países, e desde as épocas mais remotas; longe de ser um símbolo exclusivamente oriental, como por vezes se pensa, é um dos que estão mais espalhados desde o Extremo Oriente ao Extremo Ocidente, pois até se encontra entre alguns povos indígenas da América. É certo que na actualidade se conserva sobretudo na Índia e Ásia central e oriental, e que talvez só nestas regiões se conhece o seu significado, mas no entanto, na própria Europa não desapareceu por completo. Na Antiguidade encontramos este símbolo particularmente entre os Celtas e na Grécia pré-helénica; também no Ocidente foi na Antiguidade um dos emblemas de Cristo e perdurou como tal até finais da Idade Média.
  Dissemos noutra parte que a suástica é, essencialmente, o 'signo do pólo'; se a comparamos com a figura da cruz inscrita numa circunferência, facilmente nos damos conta de que se trata, no fundo, de dois símbolos de certo modo equivalentes; a rotação em redor do centro fixo, em vez de estar representada pelo traçado da circunferência, na suástica apenas está indicada pelas linhas acrescentadas aos extremos dos braços da cruz, que formam com estes ângulos rectos; estas linhas são tangentes à circunferência e indicam a direcção do movimento nos pontos correspondentes. Como a circunferência representa o mundo manifestado, o facto de que esteja implícita indica claramente que a suástica não é uma imagem do mundo, mas da acção do Princípio em relação ao mundo.
  Se relacionamos a suástica com a rotação de uma esfera, com a esfera celeste em volta do seu eixo, supor-se-á traçada no plano equatorial e o ponto central será, como já explicámos, a projecção do eixo perpendicular a este plano. Em relação ao sentido da rotação indicado pela figura, a sua importância é apenas secundária e não afecta o significado geral do símbolo; de facto, podem encontrar-se as duas formas, indicando uma rotação da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, e sem que isso suponha sempre a intenção de indicar uma qualquer oposição entre elas. Se é certo que, em alguns países e e em certas épocas, se produziram cismas em relação à tradição ortodoxa, cujos partidários quiseram voluntariamente dar à figura uma orientação contrária à usual no meio de que se separaram, para afirmarem o seu antagonismo por meio de uma manifestação externa, isso não afecta de modo nenhum o seu significado essencial que continua a ser o mesmo.
  Por outro lado, por vezes encontram-se associadas as duas formas; neste caso podemos considerar que representam uma mesma rotação vista dos dois pólos ao mesmo tempo; isto relaciona-se com o simbolismo muito complexo dos dois hemisférios, que não nos é possível abordar aqui.
  Nem sequer podemos pretender desenvolver todas as considerações que o simbolismo da suástica pode causar, as quais, por outra parte, não se relacionam directamente com o objetco do presente estudo; mas não nos foi possível silenciar esta especial forma de cruz, devido à sua considerável importância do ponto de vista tradicional; por isso, cremos que foi necessário dar pelo menos estas indicações ainda que algo precisas, às quais nos limitaremos para não nos levar a dissertações demasiado extensas. ''

René Guénon ' La Esvástica' em ' El simbolismo de la Cruz ', (cap. X)', Obelisco, Barcelona, 1987

terça-feira, 5 de junho de 2012

De Babel a Constantinopla

De Babel a Constantinopla


I

A História deste mundo:
Tantas mentiras e trapaças
No palco há marionetas
Nos bastidores muitos senhores
II

Babel é nome de torre
Muitas línguas e raças
No Egipto governam os faraós
Reis e deuses entre nós
III

Na Índia surgem os Vedas
Buda, brâmanes e guerreiros
Terra antiga de sábios e ascetas
Alguns deles entre os primeiros
IV

A China tem Lao-Tzu
Confúcio e Sun-Tzu
No Império do Meio há artes marciais
Cidade Proibida, sei lá que mais
V

Os Persas de Xerxes nas Termópilas 
Lutam contra os bravos Espartanos
Leónidas à frente, são só trezentos
Efialtes traidor, já antes de Alexandre tanta dor

VI

Pela Europa espalhadas
As tribos Celtas guerreiam
Vercingétorix valoroso em Alésia
Mesmo derrotadas, ainda hoje lembradas
VII

Em Belém nasce um menino
Que é rei e sacerdote
Leão de Judá,da linhagem de David
Morre no Gólgota, o mundo não acaba aqui
VIII

Tudo se perde na voragem
E os Césares de Roma?
Imperadores de outrora
Cai o pano, chega a hora...
IX

Na Europa a Era Feudal se anuncia
Clero, nobreza e povo à luz do dia
Carlos Magno, Sarracenos, Vikings e conventos
A Ocidente sopram agora outros ventos
X

No Japão do sol nascente
Há Imperadores e Samurais
Xóguns, o Zen, a cerimónia do chá
Além de Mishima e as artes florais
XI

Das Américas nos lembramos
Dos feitos dos Maias e Toltecas, Incas e Aztecas
Colombo, Magalhães, Cabral, Tenochtitlan e Machu Picchu
E as belas pirâmides, Cuzco, Popol Vuh e Tupac Amaru

XII

A Idade Média mais viver não pode
Constantinopla, diz-me quem te acode
Temem os Cristãos, Otomanos às portas
Agora é Mehmet II quem dita as leis

N. Afonso, 02.06.2012



sábado, 2 de junho de 2012

Ressurgir

Ressurgir

Essa espada de Dâmocles
Que pendia sobre a tua cabeça
E ameaçava o teu futuro
Ditava antes a tua sorte

Cortas os laços que te prendem
Às amarras do passado
Desfazes o nó atado
Em redor do teu coração

Ouves vozes que te aclamam
Quando brilhas na ribalta
As mesmas que te esquecem
No momento em que tudo falta

Mas agora que te ergues
Sozinho, sem escadas
Já nada te perturba
Ainda que te amaldiçoem

Mil vozes na noite
Perdem-se entre os destroços
Não fazem efeito
A vida é nada.

N. Afonso, 10.05.2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

O Simbolismo do Centro



''O Centro é, eminentemente, a região do sagrado, a região da realidade absoluta. Semelhantemente, todos os outros símbolos da realidade absoluta (árvores da vida e imortalidade, fontes da juventude, etc) estão também situados num Centro. O caminho que leva ao Centro é um 'caminho difícil ' e isto acontece em todos níveis da realidade: convoluções difíceis de um templo (como em Borobdur); peregrinação a locais sagrados (Meca, Hardwar, Jerusalém); perigosas viagens das expedições heróicas em busca do Velo de Ouro, as Maçãs de Ouro, a Planta da Vida; andar às voltas em labirintos; dificuldades do que demanda pelo caminho do eu, até ao centro do seu ser e por aí em diante. O caminho é árduo, cheio de perigos, porque é, de facto, um rito da passagem do profano para o sagrado, do efémero e ilusório para a realidade e eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Alcançar o Centro equivale a uma consagração, uma inicição; a existência profana e ilusória de ontem dá lugar a uma nova, a uma vida que é real, duradoura e efectiva. ''

Mircea Eliade, O Mito do eterno retorno

sábado, 26 de maio de 2012

Três histórias Zen



O verdadeiro caminho 


O mestre Zen Iquiú visitou Ninacava, pouco antes de ele abandonar esta vida.
- Queres que te conduza?- perguntou Iquiú.
Ninacava replicou:
-Cheguei aqui sozinho e parto sozinho. Que ajuda poderias dar-me?
Iquiú respondeu:
- Se pensas que realmente que chegas e partes, essa é a tua ilusão. Deixa que te mostre o caminho onde não há nem chegar nem partir.
  Com estas palavras, Iquiú revelara tão claramente o caminho, que Ninacava sorriu e deixou este mundo.


O suor de Cazane


Cazane foi chamado a oficiar no funeral de um senhor da sua província.
Porque, até aí, nunca privara com senhores e nobres, ficou nervoso. Quando a cerimónia começou, Cazane estava a suar.
Mais tarde, já de regresso, reuniu os seus discípulos. Confessou que ainda não estava preparado para ser professor, dado que lhe faltava uma atitude no mundo dos famosos idêntica à que tinha na reclusão do templo. Depois, Cazane demitiu-se e fez-se pupilo de um outro mestre. Só oito anos mais tarde, já iluminado, voltou a ensinar os seus antigos pupilos.


Sem apego ao pó


Zenguetsu, um mestre chinês da Dinastia Tang, escreveu, para os seus pupilos, os seguintes conselhos:
Viver no mundo e, no entanto, não criar apego ao pó do mundo é o caminho de um verdadeiro estudante de Zen.
Ao testemunhar a boa acção de outrem, encoraja-te a seguir-lhe o exemplo. Ao saber do erro de outrem, diz a ti próprio que não o imites.
Ainda que estejas só num quarto às escuras, age como se estivesses perante um hóspede ilustre. Exprime os teus sentimentos, mas não te tornes mais expressivo que a tua verdadeira natureza.
A pobreza é o teu tesouro. Nunca a troques por uma vida de lazer.
Uma pessoa pode parecer um louco e no entanto não o ser. Poderá estar apenas a guardar cuidadosamente a sua sensatez.
As virtudes são o fruto da autodisciplina e não caem do céu por si próprias como a chuva ou a neve.
A modéstia é o alicerce de todas as virtudes.
Deixa que os teus vizinhos te descubram, antes de te apresentares a eles.
Um coração nobre nunca se força a exprimir-se. As suas palavras são como gemas raras, raramente expostas e de grande valor.

In ' 101 Histórias Zen ', de Nyogen Senzaki e Paul Reps



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Flores de Maio

Flores de Maio


A Primavera era nossa
Quando te dei flores em Maio
Cresciam junto ao penhasco
O abismo das nossas almas

A chama que se apaga
É a mesma que um dia se acendeu
O tempo que tudo corrói
É o mesmo que tudo faz crescer

As flores murcham sobre a mesa
Não há água que as rejuvenesça
A flecha que foi lançada
Jamais pode voltar atrás.

N.Afonso, 10.05.2012