Antimoderno
O Homem moderno
Da Natureza afastado
Não tem Deus ou sequer Lei
Crê que viver é um fardo
N. Afonso, 9.06.2012
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Foi a Revolução Francesa uma vingança dos Templários?
Foi a Revolução Francesa uma vingança dos Templários?, por Julius Evola
'' Escreveu-se muito a respeito da Revolução Francesa e sobre a causa que a originou; habitualmente reconhece-se o papel que, pelo menos como preparação intelectual, tiveram certas sociedades secretas e especialmente a dos denominados Iluminados. Uma tese específica e mais avançada é aquela que a tal respeito sustenta que a Revolução Francesa tenha representado uma vingança dos Templários. Já num período extremamente próximo àquela revolução apareceu uma ideia semelhante. Seguidamente De Guaita haveria de retomá-la e aprofundá-la.
A destruição da Ordem dos Cavaleiros Templários foi um dos acontecimentos mais trágicos e misteriosos da Idade Média. Os Templários eram uma Ordem cruzada de carácter tanto ascético como guerreiro, fundada em 1118 por Hugues de Paiyns. Exaltada por S.Bernardo na sua De Laude Novae Militiae, haveria de tornar-se rapidamente numa das ordens cavalheirescas mais ricas e poderosas. De forma improvisada em 1307, a mesma foi acusada pela Inquisição. A iniciativa partiu essencialmente de uma figura sinistra de soberano, Filipe O Belo de França, que impôs a sua vontade ao débil Papa Clemente V, conseguindo para si as grandes riquezas da Ordem. Acusava-se os Templários de professarem só em aparência a fé cristã, de terem um culto secreto e uma iniciação alheia ao cristianismo e até mesmo anti-cristã. Como foram as coisas verdadeiramente é algo que não se pôde nunca saber com exactidão. De qualquer forma o processo concluiu com uma condenação: a Ordem foi dissolvida, a maior parte dos Templários foi massacrada e terminou na fogueira. Foi queimado também o Grão-Mestre, Jacques de Molay. Este justamente na fogueira profetizou os dias da morte dos responsáveis da destruição da Ordem, do rei e do pontífice. Filipe O Belo e Clemente V haveriam de morrer exactamente dentro dos termos profetizados pelo Grão-Mestre Templário para apresentar-se perante o tribunal divino. Diz-se que alguns Templários que se salvaram do massacre se refugiaram na corte de Robert Bruce, Rei da Escócia, e que se integraram em certas sociedades secretas preexistentes. De qualquer modo, de acordo com a tese mencionada ao início, certas derivações dos Templários teriam continuado de maneira subterrânea até ao próprio período da Revolução Francesa e teriam preparado, como uma verdadeira vingança, a queda da casa de França. Que algumas sociedades secretas se tivessem organizado para fins revolucionários, isso é algo desvelado pela investigaçao histórica. Uma mera casualidade - o facto de que um correio das mesmas fosse abatido por um raio - permitiu descobrir documentos dos Iluminados que continham planos revolucionários. Mais importante ainda foi a reunião secreta que se realizou em Frankfurt em 1780. Foi descrita de maneira novelesca por Alexandre Dumas no seu famoso livro Joseph Balsamo, onde seguramente se serviu dos apontamentos, publicados em Itália em 1790 e em França em 1791, do processo realizado pelo Santo Ofício a este misterioso personagem conhecido pelo nome de Cagliostro. Na sua exposição Cagliostro fala daquela reunião, faz menção aos Templários, diz que os convocados se comprometeram a derrubar a casa de França; que logo após a queda desta monarquia a sua acção haveria de dirigir-se para Itália tendo em mira particularmente Roma, sede do Papado.
A tudo isto devem juntar-se as revelações feitas em 1796 por parte de Gassicourt num livro sumamente raro, Le Tombeau de Jacques Molay. No mesmo sustenta-se que '' os feitos da Revolução Francesa têm um signo Templário ''. Segundo o autor o próprio nome dos Jacobinos - ou seja, os principais promotores da Revolução - viria do Grão-Mestre Templário, Jacques de Molay, e não, como geralmente se crê, da igreja de religiosos jacobinos, lugar de reunião que a organização secreta tinha escolhido por mera casualidade. E a consigna da seita, que seria mantida sucessivamente em altos graus de associações similares, compunha-se das iniciais do nome completo do Grão-Mestre Templário.
Outra circunstância estranha e significativa está representada pela escolha do lugar onde foi mantido prisioneiro o último rei de França, Luís XVI; lugar que só abandonaria no momento de subir ao patíbulo. Ainda que a Assembleia Nacional lhe houvesse destinado como cárcere um local do palácio do Luxemburgo, ele foi encerrado no Templo, ou seja, na sede dos Templários de Paris: quase como símbolo da vingança que golpeava, na pessoa do seu último descendente, a dinastia culpada da destruição da Ordem, no lugar que a mesma tinha ocupado.
São também mencionados outros elementos como apoio de tal tese. Naturalmente, uma investigação que, como esta, assenta sobre o que se desenrolou na sombra, por detrás dos bastidores da história conhecida, encontra dificuldades particulares. No caso específico, ainda admitindo todos os indícios, ficaria por verificar se existiu uma continuidade entre os agentes revolucionários em torno de '89 e os verdadeiros Templários medievais, podendo também ser que os primeiros tenham tomado dos segundos apenas o nome, ainda que pelo contrário tenham obedecido a forças obscuras de um tipo muito diferente. De qualquer modo a hipótese aqui assinalada é conhecida por parte daqueles que se debruçam sobre o que bem poderia ser denominada como a dimensão em profundidade da história. ''
Publicado no Boletim Evoliano #10- Mai-Ago.2010
domingo, 10 de junho de 2012
A Suástica
A Suástica, por René Guénon (Tradução minha)
'' Uma das formas mais relevantes do que chamámos cruz horizontal, isto é, a cruz traçada no plano em que representa um determinado estado de existência, é a figura da suástica, que parece relacionar-se directamente com a Tradição Primordial, já que se encontra entre os mais diferentes e afastados países, e desde as épocas mais remotas; longe de ser um símbolo exclusivamente oriental, como por vezes se pensa, é um dos que estão mais espalhados desde o Extremo Oriente ao Extremo Ocidente, pois até se encontra entre alguns povos indígenas da América. É certo que na actualidade se conserva sobretudo na Índia e Ásia central e oriental, e que talvez só nestas regiões se conhece o seu significado, mas no entanto, na própria Europa não desapareceu por completo. Na Antiguidade encontramos este símbolo particularmente entre os Celtas e na Grécia pré-helénica; também no Ocidente foi na Antiguidade um dos emblemas de Cristo e perdurou como tal até finais da Idade Média.
Dissemos noutra parte que a suástica é, essencialmente, o 'signo do pólo'; se a comparamos com a figura da cruz inscrita numa circunferência, facilmente nos damos conta de que se trata, no fundo, de dois símbolos de certo modo equivalentes; a rotação em redor do centro fixo, em vez de estar representada pelo traçado da circunferência, na suástica apenas está indicada pelas linhas acrescentadas aos extremos dos braços da cruz, que formam com estes ângulos rectos; estas linhas são tangentes à circunferência e indicam a direcção do movimento nos pontos correspondentes. Como a circunferência representa o mundo manifestado, o facto de que esteja implícita indica claramente que a suástica não é uma imagem do mundo, mas da acção do Princípio em relação ao mundo.
Se relacionamos a suástica com a rotação de uma esfera, com a esfera celeste em volta do seu eixo, supor-se-á traçada no plano equatorial e o ponto central será, como já explicámos, a projecção do eixo perpendicular a este plano. Em relação ao sentido da rotação indicado pela figura, a sua importância é apenas secundária e não afecta o significado geral do símbolo; de facto, podem encontrar-se as duas formas, indicando uma rotação da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, e sem que isso suponha sempre a intenção de indicar uma qualquer oposição entre elas. Se é certo que, em alguns países e e em certas épocas, se produziram cismas em relação à tradição ortodoxa, cujos partidários quiseram voluntariamente dar à figura uma orientação contrária à usual no meio de que se separaram, para afirmarem o seu antagonismo por meio de uma manifestação externa, isso não afecta de modo nenhum o seu significado essencial que continua a ser o mesmo.
Por outro lado, por vezes encontram-se associadas as duas formas; neste caso podemos considerar que representam uma mesma rotação vista dos dois pólos ao mesmo tempo; isto relaciona-se com o simbolismo muito complexo dos dois hemisférios, que não nos é possível abordar aqui.
Nem sequer podemos pretender desenvolver todas as considerações que o simbolismo da suástica pode causar, as quais, por outra parte, não se relacionam directamente com o objetco do presente estudo; mas não nos foi possível silenciar esta especial forma de cruz, devido à sua considerável importância do ponto de vista tradicional; por isso, cremos que foi necessário dar pelo menos estas indicações ainda que algo precisas, às quais nos limitaremos para não nos levar a dissertações demasiado extensas. ''
René Guénon ' La Esvástica' em ' El simbolismo de la Cruz ', (cap. X)', Obelisco, Barcelona, 1987
terça-feira, 5 de junho de 2012
De Babel a Constantinopla
De Babel a Constantinopla
I
A História deste mundo:
Tantas mentiras e trapaças
No palco há marionetas
Nos bastidores muitos senhores
II
Babel é nome de torre
Muitas línguas e raças
No Egipto governam os faraós
Reis e deuses entre nós
III
Na Índia surgem os Vedas
Buda, brâmanes e guerreiros
Terra antiga de sábios e ascetas
Alguns deles entre os primeiros
IV
A China tem Lao-Tzu
Confúcio e Sun-Tzu
No Império do Meio há artes marciais
Cidade Proibida, sei lá que mais
V
Os Persas de Xerxes nas Termópilas
Lutam contra os bravos Espartanos
Leónidas à frente, são só trezentos
Efialtes traidor, já antes de Alexandre tanta dor
VI
Pela Europa espalhadas
As tribos Celtas guerreiam
Vercingétorix valoroso em Alésia
Mesmo derrotadas, ainda hoje lembradas
VII
Em Belém nasce um menino
Que é rei e sacerdote
Leão de Judá,da linhagem de David
Morre no Gólgota, o mundo não acaba aqui
VIII
Tudo se perde na voragem
E os Césares de Roma?
Imperadores de outrora
Cai o pano, chega a hora...
IX
Na Europa a Era Feudal se anuncia
Clero, nobreza e povo à luz do dia
Carlos Magno, Sarracenos, Vikings e conventos
A Ocidente sopram agora outros ventos
X
No Japão do sol nascente
Há Imperadores e Samurais
Xóguns, o Zen, a cerimónia do chá
Além de Mishima e as artes florais
XI
Das Américas nos lembramos
Dos feitos dos Maias e Toltecas, Incas e Aztecas
Colombo, Magalhães, Cabral, Tenochtitlan e Machu Picchu
E as belas pirâmides, Cuzco, Popol Vuh e Tupac Amaru
XII
A Idade Média mais viver não pode
Constantinopla, diz-me quem te acode
Temem os Cristãos, Otomanos às portas
Agora é Mehmet II quem dita as leis
N. Afonso, 02.06.2012
sábado, 2 de junho de 2012
Ressurgir
Ressurgir
Essa espada de Dâmocles
Que pendia sobre a tua cabeça
E ameaçava o teu futuro
Ditava antes a tua sorte
Cortas os laços que te prendem
Às amarras do passado
Desfazes o nó atado
Em redor do teu coração
Ouves vozes que te aclamam
Quando brilhas na ribalta
As mesmas que te esquecem
No momento em que tudo falta
Mas agora que te ergues
Sozinho, sem escadas
Já nada te perturba
Ainda que te amaldiçoem
Mil vozes na noite
Perdem-se entre os destroços
Não fazem efeito
A vida é nada.
N. Afonso, 10.05.2012
Essa espada de Dâmocles
Que pendia sobre a tua cabeça
E ameaçava o teu futuro
Ditava antes a tua sorte
Cortas os laços que te prendem
Às amarras do passado
Desfazes o nó atado
Em redor do teu coração
Ouves vozes que te aclamam
Quando brilhas na ribalta
As mesmas que te esquecem
No momento em que tudo falta
Mas agora que te ergues
Sozinho, sem escadas
Já nada te perturba
Ainda que te amaldiçoem
Mil vozes na noite
Perdem-se entre os destroços
Não fazem efeito
A vida é nada.
N. Afonso, 10.05.2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
O Simbolismo do Centro
''O Centro é, eminentemente, a região do sagrado, a região da realidade absoluta. Semelhantemente, todos os outros símbolos da realidade absoluta (árvores da vida e imortalidade, fontes da juventude, etc) estão também situados num Centro. O caminho que leva ao Centro é um 'caminho difícil ' e isto acontece em todos níveis da realidade: convoluções difíceis de um templo (como em Borobdur); peregrinação a locais sagrados (Meca, Hardwar, Jerusalém); perigosas viagens das expedições heróicas em busca do Velo de Ouro, as Maçãs de Ouro, a Planta da Vida; andar às voltas em labirintos; dificuldades do que demanda pelo caminho do eu, até ao centro do seu ser e por aí em diante. O caminho é árduo, cheio de perigos, porque é, de facto, um rito da passagem do profano para o sagrado, do efémero e ilusório para a realidade e eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Alcançar o Centro equivale a uma consagração, uma inicição; a existência profana e ilusória de ontem dá lugar a uma nova, a uma vida que é real, duradoura e efectiva. ''
Mircea Eliade, O Mito do eterno retorno
sábado, 26 de maio de 2012
Três histórias Zen
O verdadeiro caminho
O mestre Zen Iquiú visitou Ninacava, pouco antes de ele abandonar esta vida.
- Queres que te conduza?- perguntou Iquiú.
Ninacava replicou:
-Cheguei aqui sozinho e parto sozinho. Que ajuda poderias dar-me?
Iquiú respondeu:
- Se pensas que realmente que chegas e partes, essa é a tua ilusão. Deixa que te mostre o caminho onde não há nem chegar nem partir.
Com estas palavras, Iquiú revelara tão claramente o caminho, que Ninacava sorriu e deixou este mundo.
O suor de Cazane
Cazane foi chamado a oficiar no funeral de um senhor da sua província.
Porque, até aí, nunca privara com senhores e nobres, ficou nervoso. Quando a cerimónia começou, Cazane estava a suar.
Mais tarde, já de regresso, reuniu os seus discípulos. Confessou que ainda não estava preparado para ser professor, dado que lhe faltava uma atitude no mundo dos famosos idêntica à que tinha na reclusão do templo. Depois, Cazane demitiu-se e fez-se pupilo de um outro mestre. Só oito anos mais tarde, já iluminado, voltou a ensinar os seus antigos pupilos.
Sem apego ao pó
Zenguetsu, um mestre chinês da Dinastia Tang, escreveu, para os seus pupilos, os seguintes conselhos:
Viver no mundo e, no entanto, não criar apego ao pó do mundo é o caminho de um verdadeiro estudante de Zen.
Ao testemunhar a boa acção de outrem, encoraja-te a seguir-lhe o exemplo. Ao saber do erro de outrem, diz a ti próprio que não o imites.
Ainda que estejas só num quarto às escuras, age como se estivesses perante um hóspede ilustre. Exprime os teus sentimentos, mas não te tornes mais expressivo que a tua verdadeira natureza.
A pobreza é o teu tesouro. Nunca a troques por uma vida de lazer.
Uma pessoa pode parecer um louco e no entanto não o ser. Poderá estar apenas a guardar cuidadosamente a sua sensatez.
As virtudes são o fruto da autodisciplina e não caem do céu por si próprias como a chuva ou a neve.
A modéstia é o alicerce de todas as virtudes.
Deixa que os teus vizinhos te descubram, antes de te apresentares a eles.
Um coração nobre nunca se força a exprimir-se. As suas palavras são como gemas raras, raramente expostas e de grande valor.
In ' 101 Histórias Zen ', de Nyogen Senzaki e Paul Reps
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Flores de Maio
Flores de Maio
A Primavera era nossa
Quando te dei flores em Maio
Cresciam junto ao penhasco
O abismo das nossas almas
A chama que se apaga
É a mesma que um dia se acendeu
O tempo que tudo corrói
É o mesmo que tudo faz crescer
As flores murcham sobre a mesa
Não há água que as rejuvenesça
A flecha que foi lançada
Jamais pode voltar atrás.
N.Afonso, 10.05.2012
A Primavera era nossa
Quando te dei flores em Maio
Cresciam junto ao penhasco
O abismo das nossas almas
A chama que se apaga
É a mesma que um dia se acendeu
O tempo que tudo corrói
É o mesmo que tudo faz crescer
As flores murcham sobre a mesa
Não há água que as rejuvenesça
A flecha que foi lançada
Jamais pode voltar atrás.
N.Afonso, 10.05.2012
sábado, 19 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Caminho do calvário
Caminho do calvário
Foges de ti próprio
És o Caim que matou Abel
Rogas pragas aos inimigos
Desconhecidos, sem nome
E de manhã quando te levantas
Encostas-te ao teu ego indolente
Semeias ventos entre os que passam
Depois acordas na tempestade
Carregas aos ombros
A cruz do teu destino
Espezinhas a lealdade
Ignoras a coragem
Desprezas a honra
Lisonjeias a traição
Chegou a hora!
Morrerás em vão.
N. Afonso, 6.05.2012
Foges de ti próprio
És o Caim que matou Abel
Rogas pragas aos inimigos
Desconhecidos, sem nome
E de manhã quando te levantas
Encostas-te ao teu ego indolente
Semeias ventos entre os que passam
Depois acordas na tempestade
Carregas aos ombros
A cruz do teu destino
Espezinhas a lealdade
Ignoras a coragem
Desprezas a honra
Lisonjeias a traição
Chegou a hora!
Morrerás em vão.
N. Afonso, 6.05.2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Evola- Aquilo que conta
'' As coisas chegaram a tal ponto que hoje nos perguntamos quem será capaz de assumir o mundo moderrno não em qualquer um dos seus aspectos particulares - «tecnocracia», «sociedade de consumo», etc.-, mas sim em bloco, até apreender o seu significado último. Só este poderia ser o princípio.
Mas para isso é necessário sair do círculo de atracção. É necessário saber conceber o outro - conseguir criar novos olhos e novos ouvidos para coisas que o afastamento tornou invisíveis e mudas. Só remontando aos significados e às visões em vigor antes que se estabelecessem as causas da civilização presente, é possível ter um ponto absoluto de referência, a chave para a compreensão efectiva de todos os desvios modernos - e ao mesmo tempo achar o baluarte sólido, a linha de resistência inviolável para aqueles a quem, apesar de tudo, será concedido o manterem-se erguidos. E hoje em dia o que conta - precisa e exclusivamente- é o trabalho de quem souber conservar-se dentro das linhas de superioridade: firme nos princípios; inacessível a qualquer concessão; indiferente perante as exaltações,as convulsões, as superstições e as prostituições a cujo ritmo dançam as gerações modernas. Só conta o silencioso manter-se firme de poucos, cuja presença impassível de «convidados de pedra» sirva para criar novas relações, novas distâncias e novos valores; para construir um pólo que, se obviamente não impedirá este mundo de desviados e exaltados de ser o que é, contudo será válido para transmitir a alguém a sensação da verdade - sensação essa que talvez até poderá ser o princípio de alguma crise libertadora. ''
Julius Evola ''Revolta contra o mundo moderno'', Publicações D.Quixote, 1989
segunda-feira, 7 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
A casa velha junto ao lago
A casa velha junto ao lago
Numa casa velha junto ao lago
Vive um homem solitário
Lembra os camaradas de outrora
Era a coragem a sua pátria
Na casa isolada de madeira
Uma arma gasta e uma cana de pesca
São agora as suas companheiras
Ele olha em frente, sem remorsos
O dia avança como tantos outros
O sol espreita entre os pinheiros
Uma águia paira nas alturas
Cantam aves nos altos ramos
O homem escuta e observa
A guerra- distante mas sempre perto
A vida- uma arco-íris de memórias
A morte- a outra margem do rio
A mente- apaziguada perante a dor
E a lua reflectida sobre as águas
Os irmãos caídos, nunca esquecidos
Em batalhas idas não perdidas.
N. Afonso, 6.04.2012
Numa casa velha junto ao lago
Vive um homem solitário
Lembra os camaradas de outrora
Era a coragem a sua pátria
Na casa isolada de madeira
Uma arma gasta e uma cana de pesca
São agora as suas companheiras
Ele olha em frente, sem remorsos
O dia avança como tantos outros
O sol espreita entre os pinheiros
Uma águia paira nas alturas
Cantam aves nos altos ramos
O homem escuta e observa
A guerra- distante mas sempre perto
A vida- uma arco-íris de memórias
A morte- a outra margem do rio
A mente- apaziguada perante a dor
E a lua reflectida sobre as águas
Os irmãos caídos, nunca esquecidos
Em batalhas idas não perdidas.
N. Afonso, 6.04.2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Decadência e ruína do império Freudiano(excerto)
Hans Jurgen Eysenck, ' Decadência e ruína do império Freudiano' ( Tradução minha a partir do Castelhano)
'' Quando eu era estudante, a vida intelectual europeia e americana estava dominada por três grandes figuras: Einstein na Física; Karl Marx na Economia e Sociologia e Sigmund Freud na Psicologia.
Dos três, foi Freud quem pior sofreu a prova do tempo. Mais que nociva, a sua doutrina parece hoje desprovida de carácter científico, no sentido de que não permite estabelecer previsões controláveis. Assim o notaram Karl Popper e outros epistemólogos: se determinamos de que modo uma teoria é desmentida pela experiência, quer dizer que, cientificamente, essa teoria não tem nada para dizer. Mas ainda, os métodos de tratamento que Freud retira das suas ideias são hoje considerados como quase ineficazes. Entre os especialistas a sua fama caiu muito, ainda que não se possa contestar como profeta da 'mudança social'.
O Mito da psicanálise
Freud pensou que a psicanálise encontraria uma virulenta resistência na opinião pública, mas assim não foi. A sua doutrina foi aceite com mais facilidade do que nenhuma outra ideia revolucionária, Em psiquiatria o seu método teve, até hoje, uma importância considerável, sobretudo nos Estados Unidos. Deste modo, a psicanálise é o único método de psicologia conhecido por escritores, jornalistas, cineastas, professores, filósofos, e até o homem da rua. Para muita gente, psicanálise é sinónimo de psicologia. Deparamo-nos assim com uma situação curiosa, no sentido de que a psicanálise é plenamente aceite pelos profanos, enquanto que é rejeitada pelos que nesse domínio possuem conhecimentos sérios.
A conclusão de tal estado de coisas é que a psicanálise é um mito, quer dizer, um conjunto de crenças semi--religiosas propagadas por indivíduos que se devem considerar não como investigadores mas como profetas ou iluminados.
Falta de rigor
Freud, por seu lado, estava mais interessado na psicanálise como filosofia geral que pelos seus conhecimentos respeitantes à pessoa e à possibilidade de conhecer o seu «inconsciente«. Dava muita pouca importância aos aspectos curativos da sua doutrina, e no final da sua vida, tornou-se algo céptico em relação às «curas» que obrava. Mas os seus discípulos não estão nessa via: eles persistem em afirmar que a psicanálise é, não só o melhor método de tratamento, mas o único que garante uma cura verdadeira.
Na verdade, a única coisa que costumam fazer os psicanalistas é dar a conhecer exemplos isolados e individuais (obviamente, sempre curas) e depois de utilizarem tais exemplos retiram conclusões de alcance geral. Este procedimento é o exempo clássico do sofisma ' post hoc, ergo propter hoc '. O facto de que um doente chamado John Doe, que sofre uma fobia, comece a sentir melhoria depois de quatro anos de tratamento psicanalítico, não prova de modo nenhum que John Doe deva a sua melhoria à psicanálise e ainda menos que essa fobia se cure com o tratamento dispensado.
Se querem provar a eficácia dos seus métodos, os psicanalistas deveriam ser mais rigorosos, porque se os pacientes tratados por eles não curam mais nem em maior número do que os tratados com outros métodos, os casos de cura não devem considerar-se. Mais ainda, os sujeitos tratados pela psicanálise, demoram mais do que os ausentes do tratamento. Esta conclusão deduz-se da relação entre curas e sujeitos tratados.
Sessenta anos de atraso
Em 1952 publiquei os resultados das minhas observações: a psicanálise produz a menor cura de pessoas afectadas por neurose. produziu-se um avalancha de réplicas, críticas e rejeições, mas nem uma delas mencionava um caso verificável experimentalmente que demonstrasse o valor do tratamento psicanalítico.
Devemos voltar ao paradoxo invocado no início deste artigo: se os espíritos científicos e familiares com a psicologia rejeitam cada vez mais a teoria de Freud, poque são tão populares? A resposta é simples: Freud é, em si, um escritor e um dramaturgo. A sua doutrina tem o aspecto de um drama moralizante, com os seus heróis, os seus malvados e os seus monstros. Aqui o Ego, o Ele e o SuperEgo; além o censor, disposto a lutar com o inconsciente. Toda a trama, por outro lado, está centrada na sexualidade. Pode haver algo mais atraente? Mas nada tem que ver com a ciência. O próprio Freud disse: eu não sou por natureza cientista.
As teorias de Freud têm a vantagem de que todos podem brincar a psicanalisar os seus amigos. Como a prova cientìfica não intervém para nada, nunca haverá erro. Assim se populariza a psicanálise e nasce o paradoxo. Agora, já podem os sábios franzir o nariz ou os epistemólogos assinalar que as doutrinas de Freud carecem de fundamento, porque como o homem da rua não lê as publicações científicas ou as revistas de filosofia, nada disto surtirá qualquer efeito.
Mas outros métodos de tratamento mais rápidos e eficazes tendem hoje a substituir a psicanálise. A casa que Freud construíra foi demolida; alguns tijolos servirão sem súvida a futuros arquitectos, mas a nova construção não se parecerá em nada à de Freud.
Freud atrasou a psiquiatria mais de sessenta anos, ao não dar a menor importância à prova científica. Abandonando Freud, a psiquiatria poderá ser reconhecida como uma disciplina verdadeiramente científica.''
Freud
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Omar Khayyam - Rubayat
Omar Khayyam(Pérsia, 1048-1131)
Rubayat (Alguns poemas)
O vasto mundo: grão de areia no espaço.
A ciência dos homens: palavras. Os povos,
os animais, as flores dos sete climas: sombras.
O profundo resultado da tua meditação: nada.
Os sábios mais ilustres caminharam nas trevas da ignorância,
e eram os luminares do seu tempo.
O que fizeram? Balbuciaram algumas frases confusas,
e depois adormeceram cansados.
Mestres e sábios morreram
sem se entenderem sobre o Ser e o Não Ser.
Nós, ignorantes, vamos apanhar as tenras uvas;
que os grandes homens se regalem com as passas.
Rosas, taças, lábios vermelhos:
brinquedos que o Tempo estraga;
estudo, meditação, renúncia:
cinzas que o Tempo espalha.
(Tradução de Alfredo Braga)
terça-feira, 24 de abril de 2012
Leis de Ricardo I (Coração de Leão) sobre os Cruzados que partiam para o mar-1189 d.C.
(Tradução minha)
''Ricardo, Rei de Inglaterra pela Graça de Deus, e Duque da Normandia e Aquitânia, e Conde de Anjou, a todos os seus súbditos que estão para partir para Jerusalém através do mar, vos saúdo. Saibam que nós, pelo conselho comum dos homens justos, fizemos as leis que vos são dadas. Quem quer que mate um homem a bordo será atado ao morto e atirado ao mar. Mas se ele o matar em terra, ele será atado ao morto e enterrado em terra. Se alguém, no entanto, for condenado por testemunhas legítimas de haver lançado uma faca contra outrem, ou de o ter atingido de modo a fazê-lo sangrar ficará sem a mão. Mas se o atingir com o punho sem o fazer sangrar, será mergulhado no mar três vezes. Mas se alguém vituperar ou insultar um camarada ou se o acusar de odiar Deus: pagará tantas onças de prata tantas quantas vezes o haja insultado. Um ladrão, além do mais condenado por roubo, será tosquiado e derramar-lhe-ão alcatrão a ferver sobre a sua cabeça e sacudir-lhe-ão penas de almofada também sobre a cabeça- de modo a que seja tornado público; e na primeira terra onde o navio atracar ele será lançado à costa. Na minha própria presença em Chinon.''
Fonte: Henderson, Ernest F.
Select Historical Documents of the Middle Ages
domingo, 22 de abril de 2012
Parlamento secreto Judaico em Bruxelas
A Máfia sionista internacional cria um parlamento próprio em Bruxelas. Esta é uma das notícias que os órgãos de informação vão, como de costume, silenciar.
sábado, 14 de abril de 2012
Folhas Caducas
Folhas caducas
Caem como folhas caducas
Máscaras e vaidades mundanas
Brilham ao longe, no silêncio
Da multidão afastadas
Nobres virtudes, antes secretas
Na hora certa relembradas
N. Afonso, 9.04.2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Ainda sobre o liberalismo totalitário
'' Por outras palavras, existe um liberalismo totalitário. Se esta expressão parece ser um oxímoro, ela mostra o quanto fomos treinados de modo a dissociarmos liberalismo de qualquer lufada de totalitarismo. Os nossos critérios para julgar o que é o totalitarismo (ideias extremas, campos de concentração, polícia secreta, o culto da masculinidade, a veneração do Estado) são, como que por acaso, os critérios que amigavelmente excluem todos os prováveis métodos liberais do exercício de poder. ''
Michael Walker, '' Against all totalitarianisms '', The Scorpion, nº10, Autumn 1986( Tradução minha)
Michael Walker, '' Against all totalitarianisms '', The Scorpion, nº10, Autumn 1986( Tradução minha)
terça-feira, 10 de abril de 2012
Força e violência em Vilfredo Pareto
Vilfredo Pareto
'' Não podemos confundir violência e força. A violência acompanha habitualmente a fraqueza. Podemos ver indivíduos e classes, que, tendo perdido a força para se manterem a si próprios no poder, se tornam mais e mais odientos, recorrendo à violência indiscriminada. Um homem forte ataca apenas quando é absolutamente necessário- e nada o pára. Trajano era forte mas não violento; Calígula era violento mas não era forte. ''
E escreve mais adiante: '' Todos os povos aterrorizados pelo sangue ao ponto de já não saberem defender-se a si mesmos mais tarde ou mais cedo tornar-se-ão presas de outros povos belicosos. Não há talvez um palmo de terra no planeta que não haja sido conquistado pela espada, ou onde os povos a ocuparem essa terra não se tenham lá mantido pela força. Se os Negros fossem mais fortes do que os Europeus seriam eles a dividir a Europa e não os Europeus a dividirem África. O alegado 'direito' com os quais os povos se arrogaram a si próprios o título de 'civilizados' para conquistarem outros povos a quem se acostumaram a chamar de 'incivilizados' é absolutamente ridículo. Pelo contrário, esse direito não passa de força. Enquanto os Europeus forem mais fortes do que os Chineses, eles impor-lhes-ão a sua vontade, mas se os Chineses se tornarem mais fortes do que os Europeus, estes papéis inverter-se-ão... ''
Vilfredo Pareto ' Les systèmes socialistes ' ( Tradução minha)
sábado, 7 de abril de 2012
Liberalismo totalitário
O liberalismo, ao intrometer-se em todos os domínios da vida humana e ao subordiná-la unicamente à esfera puramente económica da actividade social, torna-se deste modo totalitário, sendo por isso desprezível e, consequentemente, nosso inimigo.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Ovídio e as Quatro Idades
' De ouro foi a primeira Idade, quando a fé e a justiça se mantinham pelo livre arbítrio e não pela lei, ameaça ou vingança. Corriam rios de leite e rios de doce néctar, e o mel era extraído de carvalhos verdejantes.
Depois de Saturno haver sido expulso para o obscuro reino da morte, e de o mundo estar sob a influência de Júpiter, a raça de prata chegou, pior do que a de ouro, mas melhor do que bronze amarelado.
Então, depois disto, a terceira chegou, a raça de bronze, de índole mais severa e mais rápida a pegar em armas, mas não ainda ímpia.
A Idade de ferro veio no fim. De uma vez, todo o mal irrompeu nesta era desprezível: a modéstia, a verdade e a fé abandonaram a terra, e em seu lugar apareceram as artimanhas e conspirações,a violência e a amaldiçoada ganância pelo lucro. O convidado não estava a salvo do anfitrião, nem o sogro do genro; o amor escasseava, mesmo entre irmãos. O marido ansiava pela morte da sua esposa e ela pela do seu marido. A devoção foi derrotada, e o último dos imortais abandonou a terra encharcada de sangue.
Quando o filho de Saturno observou isto do seu elevado trono gemeu, e concebeu na sua alma uma poderosa fúria digna de Júpiter e reuniu os deuses em concílio. '
Ovídio ' Metamorfoses' ( Tradução minha)
Ovídio
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